...se não me engano, se todos os sinais que se vão acumulando são precursores duma nova transforação brutal da minha vida, então tenho medo. Não que minha vida seja rica, importante e nem preciosa. Mas tenho medo do que vai nascer, apoderar-se de mim - e arrastar-me, arrastar-me para onde? Vou ter outra vez de partir, deixar tudo em meio, as minhas pesquisas, meu livro? Voltarei a acordar daqui a alguns meses, daqui a alguns anos, derreado, desiludido, no meio de novas ruínas? Queria ver claramente o que se passa em mim, antes que seja tarde demais...
( Sartre, 1938, trecho de "A Náusea")
( Sartre, 1938, trecho de "A Náusea")
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